Livro Pirataria, de Angelo Perusso
Curitiba, PR

Livro Pirataria, de Angelo Perusso

Edição e publicação do livro Pirataria, de Angelo Perusso | Toma Aí Um Poema

Campanha Financiada com Sucesso!

Finalizada em 18/04/2024

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O Livro

Pirataria é um livro de poesias urbanas. O autor mergulha nas profundezas das histórias que ecoam pelas ruas da cidade. Inspirado nas narrativas de sua mãe e nas experiências cotidianas, cada poema é uma reflexão das histórias que moldaram sua vida e da cidade que o rodeia.

As palavras fluem das rodas de slam, onde o autor encontrou sua voz e sua expressão. Os poemas transbordam de emoção, capturando memórias, traumas, sonhos e dores que fluem como o trânsito da tarde na cidade agitada.

Este livro é uma homenagem à cidade, uma metrópole inquieta e pulsante, que se torna bela através da cultura que produz e consome. O autor, um pirata poético, desafia as normas para democratizar a poesia, criando espaços de expressão coletiva como o Slam Estrela D’Alva e o Slam Xodó em Santa Catarina.

Com o desejo de compartilhar suas palavras além das páginas impressas, muitas dessas poesias serão vistas e ouvidas pelas ruas da cidade e também nas redes sociais. Muitos dos seus trabalhos já estão disponíveis online, alcançando milhões de visualizações no TikTok e Instagram.

Tem-se também uma homenagem ao tio do autor, um sonhador que não pôde deixar sua marca na poesia. Um poema de sua autoria é incluído no livro, preservando sua memória e legado.

Por fim, Pirataria é uma jornada poética que transcende gerações, um testemunho do amor pela poesia e um convite para que as futuras gerações se inspirem e se expressem livremente.

O Autor

Angelo Perusso é estudante de letras na Universidade Federal de Santa Catarina, poeta, slammer e slammaster. É organizador e criador do Slam Estrela D’alva, na UFSC, em Florianópolis. Foi criador do Slam Xodó, em Florianópolis, e disputou a final estadual de Slam em 2022, em Santa Catarina, e 2021, no Rio Grande do Sul. Além disso, ministra oficinas de poesia em escolas da Grande Florianópolis e atua como professor de português para imigrantes e refugiados no PET Letras UFSC. Natural de Porto Alegre (RS).

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Alguns Poemas do Livro

Gabriel II

Pobre e desconhecido poeta brasileiro 

Morto muito cedo por um policial bêbado 

Com o caderno cheio 

De músicas e poemas que nunca leram 

Meu tio largou a escola cedo 

Por ter que priorizar o trabalho 

Mas pra compensar a falta de acesso 

Andava com dicionário debaixo do braço 

E de tanto amar as palavras 

Virou poeta

Problema é que meu tio passava muito tempo no boteco 

E muito tempo dando soco

Por isso trago punch lines 

Que deixam vocês embriagados

Eu vim pra mostrar que poesia 

Também pode dar um barato 

Eu vim pra dizer pro meu tio 

Que quando os meus netos forem pra escola

Ela vai contar o que realmente aconteceu 

Na guerra dos farrapos 

E poesia marginal vai estar no livro didático 

E não a vontade dos núcleos midiáticos 

Ou de um evangélico Deus 

Eu vim pra dizer pro meu tio 

Que o mundo também me assusta

E que os teus medos continuam demandando luta 

Jovens garotos e garotas ainda largam a escola 

Por precisar de um dinheirinho 

É que o mundo ainda é um moinho, tio 

E o trabalhador ainda é explorado 

E o empresário brasileiro ainda é 

No mínimo, mesquinho 

Mínimo ainda é o salário 

Nascer pobre ainda é viver martírio 

É que esse é o projeto tio 

Chama capitalismo 

E o sonho da criança ainda é só jogar bola 

Porque o professor não recebe e não dá aula 

E sem estudo só sobra a quadra 

Meus amigos do futebol que não vingaram

Por não ter acesso ao estudo como eu 

Não aguentaram a dor e se drogaram 

Ou hoje, pra ter o pão vendem a alma 

É que mesmo sem professor de matemática 

Eles entendiam a estatística 

É mais fácil tentar ser um, em um milhão 

E ganhar algum dinheiro jogando futebol 

Do que mudar a vida da família 

Através da pública e sucateada educação 

Por isso

Se você tem acesso ao estudo

Você é um afortunado 

Chegou no fim do arco íris 

O aprendizado é o pote de ouro 

Então estuda 

Aprende!

Aprende história pra não ser enganado

Ciência pra não ser cloroquinado 

Geografia pra não ficar perdido

E saber que quando falam em ocidente 

Se referem a Europa e Estados Unidos  

Nós somos de um terceiro mundo

Alienígenas américo-latinos 

Portanto aprendi poesia 

Pra revidar e me sentir vivo 

E pra dizer pro meu tio:

Desculpa, tio 

Pelas minhas linhas 

É que infelizmente, hoje ainda 

Os poetas trazem más notícias. 

Sociolinguística poética 

Falar português é uma violência 

Por isso que soam tão gostoso 

Palavras como dengo, cafuné, xodó 

É porque elas não foram impostas 

Português é a língua de Portugal 

Nação que colonizou esse espaço 

Antes de 1500

O Brasil falava centena de línguas 

Todas indígenas 

Depois, 

O Brasil falava milhares de línguas: indígenas, africanas, e até europeias 

A única que foi imposta 

É o português

Por isso quando a gente abrasileira o sotaque 

Soa melhor 

Por isso quando a gente cria palavras 

Soa melhor 

Por isso quando a etimologia da palavra não vem do latim 

Soa melhor 

Porque foi o Brasil que pariu 

Essa palavra 

E o normal é amar os filhos 

Língua é identidade 

E cada vez que a gente adapta a língua a nós 

Mais brasileira ela fica 

E mais a gente se identifica 

Cada vez que digo “me diz” ao invés de “diga-me” 

Sou brasileiro 

A cada vez que mato o “vós”

E chamo “você” 

Sou brasileiro

A cada vez que eu falo como eu falo 

Lembro dos meus amigos 

Da minha mãe 

Do meu tio 

E sou brasileiro 

Eu não falo português 

Falo brasileiro 

E de preferência 

Que eles não me entendam 

Afinal não entendem mesmo 

Nunca criaram nada do nível do samba, do funk, do carnaval 

E também como fariam 

Com esse sotaque que mata a vogal?

Respeite a fala de todos 

Menos a de quem te colonizou 

Eles roubaram nosso ouro 

Mas a língua nóis que roubou 

E graças a Deus 

Porque já não dá pra esconder 

Brasileiro

Soa muito melhor do que português. 

Eu queria escrever um poema 

Escrever não basta

Queria despejar um poema 

Eu queria que um poema saísse pelos meus poros, pelos e cabelos 

E tivesse o cheiro do álcool da noite anterior 

Eu queria um poema que tivesse o cheiro da minha pele

Que tivesse a dor da minha saudade 

E o frescor do meu amor 

Tivesse o gosto da tua boca 

Um pouco antes de dormir 

E o amargo na mente 

Que sinto às vezes sem aviso 

Eu queria escrever um poema 

Mas eu me afastei da caneta 

Ou ela que se afastou de mim 

Queria ter algo legal pra dizer 

Queria dizer coisas que preciso dizer

E que sei que preciso dizer

Mas que não sei o que são 

Eu vivo como se estivesse com o grito entalado

Vivo como se quisesse chorar um choro que não lembro onde guardei 

Vivo como se precisasse de um desabafo pra entregar no dia seguinte e eu ainda nem comecei 

Eu sempre trabalhei bem sobre pressão 

Meus trabalhos da escola feitos em cima da hora 

Eu sempre tirava dez 

Mas acho que cansei de correr 

De ter pressa, de competir, de lutar, de sofrer

Eu só queria chorar!

Na aula, no ônibus, no meio da festa 

Eu queria permitir que minha dor, que é luz

Não precisasse mais sair pelas frestas 

Eu queria me permitir sentir 

Mentira, eu já sinto 

Mas eu quero entender, assimilar e deixar ir

Que merda tem sido sentir como eu sinto 

O peso no peito é concreto 

A compreensão do motivo, abstrato 

E o choro é só sonho 

Se meu choro fosse um quadro 

Teria faltado dinheiro pra comprar a tela 

E eu fiquei só com a ideia 

Meu choro é um título do Grêmio 

Um abraço de mãe 

Jogar minha sobrinha pra cima 

É não me preocupar com resultado dos meus sonhos 

Mirar na perfeição 

Pra atingir a excelência 

Sem nem pensar duas vezes 

É um churrasco de domingo na família do meu amigo 

Porque a minha não faz roda de samba

É me emocionar ao ver o Léo e o Tio China 

Jogando bola junto 

E pensar que um dia eu também quero jogar bola com meu filho 

Meu choro é como se sentir em casa em algum lugar 

Meu choro é como quando minha mãe faz carbonara 

Ou parar na porta do quarto da minha irmã e não falar nada 

Só pra incomodar 

Meu choro é esse tanto de coisa 

Que já foi tão mais fácil de ter

E aqui tô eu, de novo, falando de saudade

Como se a vida não bastasse 

Ela basta! 


Mas é eu queria escrever um poema 

E não tinha nada legal pra dizer 

E o meu choro é isso:

Algo que eu quero 

Mas não sei mais como fazer.

O Toma Aí Um Poema

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O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:

1k+ autores lidos |   1k+ poetas publicados    | 1 milhão de players

Orçamento - 50 exemplares (2600 Reais)

Impressão Gráfica | 800,00

Material de envio e fretes | 600,00

Serviços Editoriais | 700,00

Registros, solicitações, taxas | 400,00

Margem de segurança | 100,00

Contato

contato@tomaaiumpoema.com.br

@tomaaiumpoema

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Modalidade

Projeto, Meta Tudo ou Nada

A primeira meta de arrecadação precisa ser atingida para o projeto acontecer. Caso contrário, os apoiadores recebem o dinheiro de volta.

  • Recursos só são repassados se a meta mínima for atingida.
  • Taxa aplicada apenas sobre o valor arrecadado.
  • Apoiadores recebem recompensas quando a campanha é bem-sucedida.