Conheça a campanha
A ideia
A ideia de deixar registrado um movimento literário, que representa com profundidade os ideais libertários do povo pernambucano, surge na data que marca os 40 anos do primeiro lançamento coletivo, na livraria Livro 7, no Recife, no dia 17 de agosto deste ano. Um curso de cinema-documentário foi considerado como a melhor opção para viabilizar a produção de um filme, que incorpora o mesmo entusiasmo de seus integrantes, à época, pelas letras e artes. Uma parceria entre a Cultura Nordestina e o Portal de Artes foi estabelecida, no sentido de dar forma ao projeto e realizá-lo.
O curso
O curso abrange as áreas de produção; fotografia e câmera DSLR; arte; montagem - edição e estruturas narrativas do cinema documentário, construção de um curta-metragem, gravado durante o curso. O roteiro é baseado no movimento literário Edições Pirata da década de 70 e 80 do século passado, com os orientadores Paulo Lins, Costa Neto e Camila Valença.
A aula inaugural
A aula inaugural do curso foi realizada no dia 5 de novembro, na sala João Cardoso Aires, no campus Derby da Fundaj, no Recife, e dela participaram os interessados no curso, entre outras pessoas ligadas ao projeto.

A campanha
O número de alunos matriculados, no entanto, não é suficiente para cobrir as despesas com a realização do filme, que tem como proposta pré-produção, produção e pós-produção; pesquisa e coleta de materiais de arquivos para composição do documentário cinematográfico; roteiro e produção do filme em formato digital 15'; gravação (captação de imagens e edição), entre outros custos inerentes a um projeto deste porte, em torno de R$ 50.000,00.
A campanha de arrecadação surge como perspectiva viável para a finalização do curta-metragem, tendo em vista o seu objetivo maior, que é a preservação da memória da literatura pernambucana, tema de interesse e responsabilidade dos que compõem a cena literária atual do Estado.
As recompensas para os apoiadores
1 - Exibição de créditos no documentário (logomarca)
A partir de R$ 1.400,00 (2 cotas de R$ 700,00), para Pessoas Jurídicas - a exibição de sua logomarca nos créditos do documentário, que será inscrito em festivais de cinema nacionais e internacionais.
2 - Exibição de créditos no documentário (nome completo)
A partir de R$ 700,00 (1 cota), para Pessoas Físicas - a exibição de seu nome nos créditos do documentário, que será inscrito em festivais de cinema nacionais e internacionais.
3 - Livro de autoria de alguns integrantes do Movimento
A cada R$ 30,00
4 - Calendário de mesa
A cada R$ 25,00
5 - Marcador de texto artesanal
A cada R$ 15,00
O filme
As primeiras cenas já foram gravadas na casa de Eugênia Menezes, detentora da memória do Movimento, e que, gentilmente, cedeu a biblioteca e os jardins de sua residência, para as primieras gravações.






Histórico do movimento literário Edições Pirata, por Eugênia Menezes
Geração 65: livro dos trinta anos. Organização de Jaci Bezerra. Recife: Fundaj, Editora Massangana, Secretaria do Estado de Pernambuco, FUNDAP, 1997. Págs. 97 a 105.
Pousos e cotidiano da Pirata
O primeiro livro editado pela Pirata, Pomar, de Arnaldo Tobias, foi rodado nas máquinas do IJNPS – Instituto Joaquim Nabuco, às escondidas. Daí nasceu o nome da editora. Tomamos depois um empréstimo bancário e compramos uma máquina de segunda mão, diziam, mas pela meladeira que fazia devia ser de vigésima. Quando não podíamos pagar o empréstimo, passávamos o chapéu entre os amigos. Muitos deles nada tinham a ver com poesia – prioridade editorial, depois ampliada para ficção e ensaios –, mas tinham a ver com nosso entusiasmo e nossa animação. Até porque quando nos angustiávamos com algum problema, ficávamos insuportáveis. Quitada e regulada a máquina, alugamos uma casa na rua Silvino Lopes 130, em Casa Forte. Começamos a funcionar, os vizinhos não gostaram do barulho e nos denunciaram à Prefeitura.
Saímos de lá na carreira para uma vacaria nos fundos da casa do jornalista Fernando Ricardo Menezes, na rua Luiz Guimarães, também em Casa Forte. Sendo o local muito úmido, o papel sanfonava, ficava frio, não rodava na máquina. Alugamos, então, uma casa na rua Dois Irmãos 14, ao lado da FUNDAJ de Apipucos, que chamávamos de filial, onde habitavam Jadson Bezerra, vulgo Perunga, irmão de Jaci, e seu grumete Grafite. Dali, carregávamos os livros, fininhos a princípio, para uma grande mesa, dentro da Fundação, onde os colecionávamos no final do expediente. Fomos dedurados e nos mudamos para a casa de Myriam e Alberto Vasconcelos, na rua Apipucos 452, terraço do primeiro andar, nosso porto seguro.
Não sei como eles nos suportaram por tanto tempo. Quando fizemos a exposição em OlindaPintura e Poesia, fechamos as caixas contendo os poemas e reprodução dos quadros com um lacre vermelho, parecia coisa de lorde. Para amolecer o lacre, acendemos várias velas, pingamos a casa toda, mas o resultado foi fantástico. Era uma bagunça, uma coisa horrorosa, como dizia o dono da casa. Ele montava numa cadeira e ficava, com sua proverbial verve, a nos instigar. Chegou a dizer, com um ar maroto, que, daquela novela toda, o mais fácil era escrever o livro. De vez em quando comentava: Fulano está doido para levar uma regulagem de Eugênia. Só depois entendi que com aquela observação estava dando pistas para a bronca ser dada e ele se divertir. A dona da casa estabeleceu as regras, taxativa: aqui é proibido falar mal dos outros. Paguei, com tal proibição, todos os meus pecados: minha língua coçava, ardia, eu ficava sem fôlego, mas cumpria as ordens. Não por virtude, mas com medo que ela nos pusesse no olho da rua. Sim, porque fomos tomando gosto e levamos prancheta, cola, estilete e tudo mais cabível para montagem de livros e capas.
Os autores participavam com seus familiares do chamado roda-roda que, segundo Alberto Cunha Melo, “(...) doem as costas, as pernas, e faz calor nas mãos, mas é bom contra celulite e o tédio. ”Os originais sempre foram endereçados ou levados pessoalmente pelos autores para casa da poetisa Celina de Holanda, que os recebia com os braços e o coração abertos, na rua Betânia 10/102, no Derby.
A experiência com a Pirata me ensinou a importância do amor ao que se faz; a desenvolver métodos de melhor fazer; a entender que o trabalho não é um castigo divino, mas um direito e uma alegria, quando corretamente motivado e, sobretudo, quando se rompem as hierarquias tradicionais. Bater o martelo é necessário, mas um martelo cujo som não expresse apenas o ranço do poder.
A proposta e seus ajustes
A ideia de editar livros à margem do processo usual de editoração já havia sido vivenciada por Alberto Cunha Melo, Jaci Bezerra e outros companheiros da Geração 65, que haviam feito algumas excursões na área sob a batuta de um amigo comum, a quem conheci apenas pelo selo Elói Editor. Houve também umas amostras produzidas em final de ano, os chamados envelopes de Natal, com trabalhos do grupo de poesia da Geração 65. A experiência de autopromoção editorial não era inédita no Recife, tendo sido precedida pelo Gráfico Amador, resgatada em exposição organizada por Paulo Bruscky, na Semana do Autor Pernambucano, em 1984. Dava continuidade, também, ao trabalho desenvolvido pelo TPN, criado por Hermilo Borba Filho. Ou seja, a Pirata pretendeu cultivar “o ânimo de criar, o de fazer, o de brigar, no Nordeste, pelas coisas em que acreditávamos.”
Nasceu também, e muito oportunamente, numa conjuntura política repressora, num país com diferenças regionais gritantes e onde a movimentação cultural de relevância – espero que entendam isso como uma ironia – acontecia apenas nas bandas de baixo do país. Continuando a contextualização da proposta, lembramos que, localmente, ele foi contemporâneo do movimento dos Escritores Independentes de Pernambuco; das publicações alternativas Fandango, editadas pelos poetas da Rua do Imperador; do Pró-texto, de Arnaldo Tobias; da revista Poesia, filha de Juareiz Correya, entre outras publicações alternativas.
Entendemos que dois outros ingredientes se somaram para azeitar a máquina: a capacidade de liderança de Jaci Bezerra e Alberto Cunha Melo – portanto a Geração 65 – e o encontro de um clima favorável dentro do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, atual Fundação Joaquim Nabuco, por onde passaram os poetas da geração 65 Almir Castro Barros, Marcus Accioly e Sérgio Bernardo, além de Jaci Bezerra, Alberto Cunha Melo; Arnaldo Tobias, José Rodrigues de Paiva e Sebastião Vila Nova. Por lá passaram também os romancistas Sérgio Moacir de Albuquerque, Raimundo Carrero e Maximiano Campos, além de nomes mais distantes da Geração, como o poeta Mauro Mota e o cronista Renato Carneiro Campos. O IJNPS favoreceu o surgimento da Pirata não tanto por suas características institucionais, mas, sobretudo, por uma feliz confluência, em um mesmo momento, de pessoas com interesses comuns e uma postura solidária e fraterna, uma visão de mundo assemelhada. Coisas advindas da interferência dos astros, e de convescotes entre fadas e bruxas. Some-se a isso 36 anos a menos em cada um de nós, muita vontade de fazer coisas, muita invenção e muita danação também.
Talvez a formação em Ciências Sociais por grande parte do que convencionamos chamar Grupo de Base da Pirata tenha condicionado o perfil acentuadamente sociológico da proposta.
Grupo composto, inicialmente, por Jaci, Alberto, Maria do Carmo Oliveira, Nilza Lisboa, Amarindo Martins de Oliveira, Andréa Mota, Vernaide Wanderley, Ednaldo Gomes de Melo, por Myriam e por mim (dirigentes e grupo de apoio). Propunha um produto artesanal, remédio contra a pose do intelectual. “Na prática, tal como explicita o manifesto de setembro de 1980, o escritor deveria participar de vaquinha para compra de material e colaborar, com seu trabalho, no processo de produção do livro, diagramando, colecionando, divulgando, vendendo. “Em nossa época, não há mais lugar para torres de marfim. Há espaço, sim, para aqueles que não hesitam em misturar o seu corpo e a sua alma no barro de sua própria construção.” (...) “Não interessa emitir juízo de valor sobre as obras que chegam ao forno de suas impressoras. Interessa à Pirata, sobretudo, colocar em letra de forma, sobriamente, a voz das gerações engavetadas”. Na época, o único critério para publicação era a ordem de chegada dos originais. Eu lembro que Celina, algum tempo depois, fazia uma observação interessante em relação a isso: a de que podíamos estar dando a sensação de Cinderelas (uma referência à noite de autógrafos) a pessoas sem talento para a poesia, mas que poderiam ser grandes em outras áreas.
O material informativo veiculava mensagens de otimismo, entusiasmo – “O maior acontecimento do país”; “Pirata: literatura em movimento”; “Pirata: literatura em construção”; “Pirata: o santo de casa que faz milagres”; “Uma festa de literatura para você”; “A rua é do povo! A festa é de livros!” ”Literatura em construção!” E foi trabalhando que o movimento editorial virou uma bola de neve. O número de originais que chegava a nossas mãos era maior do que nossa capacidade de trabalho. Já não podíamos manter a proposta em suas características artesanais.
As goteiras da casa 14 exigiam a plastificação dos livros, e recebemos apoio de Moacir Sena Dantas, na época Diretor da Imprensa Universitária da UFPE, que se juntou ao grupo. Recebemos substancial ajuda de profissionais que eram nossos colegas de trabalho, como Evandro Viana e, principalmente, Rejane Vieira Pinto. Compramos outras máquinas, mas não era nada de formidável, não. Usamos também máquinas da FUNDAJ, sobretudo para cortar papel.
Em outros campos profissionais nossos colegas também apoiaram, como Ariadne Quintella, Maria Luiza Rolim, Paulo Gustavo, Inalda Silvestre, o Grupo de Teatro da FUNDAJ. O que seria da Pirata sem Josenildo Freyre, seu fotografo oficial? A Pirata era assim: pegava feito gripe.
Vários acidentes de percurso começaram a incomodar, tais como a falta de compromisso de alguns autores; o não cumprimento da cláusula de participação no trabalho de feitura do livro e em sua venda; os estoques acumulados sem que dispuséssemos de tempo sequer para ir recolher os trocados nas livrarias locais; a data de pagamento das promissórias que se aproximavam sem dinheiro para cobri-las. E lá vem vaca, e lá vai uma fatia do salário. Alguns nos perguntavam se não estávamos sendo paternalistas ou otários; outros diziam que estávamos enganando os jovens poetas; fomos sendo acusados de mamar na FUNDAJ. Mas a crítica mais contundente foi a falta de critérios estéticos para a publicação de originais, tarefa que, segundo nosso pensamento, caberia aos críticos e ao tempo.
Produzi, em outubro de 1981, um documento intitulado Dois anos de atividade Pirata; um convite à reflexão, onde tentei colocar os problemas com espirito analítico e um tanto de lucidez (todos sabemos que a paixão é inimiga da lucidez), sistematizando os questionamentos, mas sem oferecer soluções. Acreditava, e continuo acreditando, na força da construção coletiva. Considerando a relação Pirata/ usuário/ comunidade, vivíamos numa dualidade afago/ pancada, uma mistura de elogio e cobrança, difícil de administrar. Tudo que existe e persiste, sobretudo em condições precárias, incomoda.
A resposta a esse momento encontra-se no número 7 do Jornal Cultura e Tempo, iniciado por Iran Gama, que juntou-se ao nosso grupo, e do qual a Pirata editou quatro números. Sobre o conceito de movimento – cada um de nós já sentiu na pele a peitica de um teórico quando quer arrumar o mundo – responde Jaci Bezerra que a proposta “não surgiu exatamente como um movimento, porque a rigor, os seus criadores não tinham uma proposta definida, um projeto, (...) que traçasse os seus possíveis e futuros rumos. ”Sobre o que significava, na época, a Pirata em suas vidas, para Andréa Mota, é “a crença no trabalho comum, a força da ternura construtiva”; Celina de Holanda, reconhecendo-se como pessoa solidária e quixotesca, afirma: “para mim movimento Pirata significa paixão, a força da amizade convertida em ação, tomando por inteiro um grupo de amigos já comprovados.”
Kátia Bento, poetisa radicada no Rio e que aderira à Pirata com muito empenho, declarou acreditar na poesia, na ação poética dirigida e na força de um movimento literário. Em seu trabalho de apoio à Pirata, Kátia recebeu substancial colaboração de Suzana Brindeiro, poetisa pernambucana radicada no Rio. Sobre as mudanças feitas ou por fazer na Pirata opina Nilza Lisboa: “A Pirata cresceu e hoje é aceita, reconhecida, acatada e também criticada – porque não? Se cresceu, evoluiu. Porque coisa viva não é estacionária: cresce, mexe, incomoda”. Vernaide Wanderley, que se identificava mais com a visão idealista do início, acreditava que a nova fase deveria ser entendida como uma atividade editorial inovadora, “na medida em que adota algumas características atípicas das editoras oficiais. ”A socióloga Danielle Rocha Pita vê a Pirata como “uma fonte de dados sobre o que pensam e fazem os jovens de hoje (...) passando pelo conceito ou ideia que fazem da poesia.”
Interação da Pirata com outros segmentos culturais e balanço de atividades
A ação da Pirata no Recife e em outros campos onde incursionou não se processou de forma isolada. Procurou sempre interagir, de forma integrada, com outros segmentos culturais, quer apoiando eventos (impressão de mosquitos, cartazes, convites), quer promovendo-os. Na área de artes plásticas, com o apoio a Oficina 154, em Olinda, realizou três exposições, além de uma na Casa da Criança, também em Olinda. Shows musicais, espetáculos de teatro, recitais poéticos, entre eles o Dois poetas e o sentimento do mundo, feito na FUNDAJ em homenagem a Drummond e Bandeira. Suas promoções sempre envolveram várias instituições culturais, públicas e privadas.
Em contrapartida, recebeu o apoio de inúmeros artistas que cederam ilustrações, desenharam capas, prestigiaram os lançamentos, apresentando-se sem cachê. Acredito que muito do sucesso da Pirata deve-se ao apoio recebido da imprensa falada, escrita e televisiva. A Pirata não foi apenas um movimento editorial, mas um animador cultural da cidade do Recife.
Os lançamentos coletivos, em geral no meio da rua, eram uma festa. Sempre pensei que me tocavam tão profundamente por me lembrarem a quermesse da festa da padroeira de Taperoá. Hoje entendendo que aquelas festas tinham cheiro e gosto de povo. Nas tapiocas, pipocas, milho assado, no perfume francês da madame e no cheiro de suor dos passantes, que de passantes iam ficando, ficando, às vezes até embalarmos de volta a sobra nas caixas que conseguíamos no supermercado. As pessoas paravam, folheavam as edições, ouviam o show, batiam palmas, sorriam. Gente que nem tinha sido convidada entrava no espírito da festa.
Sempre faltavam livros, surrupiados que tinham sido por algum esperto ou liso. Aquilo me dava uma alegria danada, saber que alguém tinha afanado um livro.
Numa rápida quantificação das atividades realizadas no período considerado, a Pirata realizou 15 lançamentos individuais, 12 coletivos, três deles ocorrendo em Recife e no Rio, atingindo 319 títulos. Dos doze, três foram lançamentos infantis, que constituíram a coleção Piratinha. Apoiou dez pré-lançamentos ou relançamentos, realizados por iniciativa dos autores. Editou três catálogos, em 1981, 82 e 84; em 1982, os números 4, 5, 6 e 7 do Jornal Cultura e Tempo e uma edição Comemorativa do I Festival Nacional de Mulheres nas Artes, em 1982, intitulado Maria Poesia. Colaborou com um evento científico da FUNDAJ, apresentando uma seleção de poesias relativas ao Meio Ambiente, selecionadas por Myriam Brindeiro em livros publicados pela Pirata; três números da revista Pirata Edições, em 1984 e 85, cujo conteúdo foi largamente elogiado pela crítica.
Na concepção da revista se incorporaram ao grupo Lúcia Menezes, Zuleide Duarte, Carlos Daconti e Maria de Lourdes Hortas. Estas já colaboravam, há algum tempo, com amplo trabalho de articulação externa, através do qual a Pirata chegou a ter correspondentes em Niterói, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Paraíba, Sergipe, Argentina e Estados Unidos, na Universidade do Colorado.
Para finalizar, voltemos ao elo entre a Geração 65 e as edições Pirata. Espero estar claro que houve, entre ambas, uma área de intersecção – o desejo de fazer – mas têm personalidades distintas. Parte dos componentes da Pirata sequer era poeta ou escritor.
Declaro, de público, a grande admiração que tenho pela Geração 65 e sua poesia forte e bela. Sobre algumas dificuldades que tivemos entre os componentes da Geração 65, Ângelo Monteiro nomeou como “diversidade existencial e artística”. Outros falam, vaga e comodamente, da “dispersão”. Acho que as estrelas da Geração 65 esqueceram como se faz uma constelação.
Que este evento, preparado com tanta atenção e cuidado pela Fundação Joaquim Nabuco, para seus rebentos rebeldes, começado com cerimônia de abertura e coquetel, termine com festa de fechamento no Mangueirão, em primeira instância; depois, no Bar Pirata.
