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Poemas de Viagem é uma jornada poética por meio de paisagens geográficas e emocionais. Organizada em ciclos que mapeiam experiências em Budapeste, Itália, Península Ibérica e Brasil, os poemas criam um mosaico de impressões onde o presente do viajante-lírico dialoga constantemente com as camadas profundas da história, da arte e da condição humana.
O Ciclo de Budapeste abre a viagem, justapondo a beleza e o sabor das sementes de papoula com a sombra persistente de um passado de guerras, perseguições e figuras históricas imponentes. No Ciclo Itálico, Roma e Florença servem de palco para reflexões sobre a arte, a mortalidade e a própria poesia. O Ciclo Ibérico nos leva a Portugal, contemplando desde a força silenciosa da pedra na Praia da Ursa até a profunda meditação sobre o tempo e a identidade às margens do Douro. Finalmente, o Ciclo Brasileiro retorna à terra natal com uma voz mais dura e engajada. A tranquilidade bucólica dá lugar a uma denúncia contundente das feridas sociais e da exploração histórica.
Poemas de Viagem é um diário de viagem lírico e uma investigação das ressonâncias entre lugar e memória, beleza e dor, entre o efêmero instante da viagem e o peso da história.

Camila Marchioro é uma artista da palavra que trilhou um caminho singular na arte. Atriz, bailarina e poeta, é nos versos que encontra o lugar onde todas as suas paixões se entrelaçam. Sua poesia é leve, concisa e direta, um convite a explorar a beleza e a complexidade da experiência humana através da linguagem, da cor e do movimento. Camila é também doutora em Literatura Comparada pela UFPR, redatora, professora e mãe.


Retrato de um mundo repetido
A criança clara caminha em seus sapatos sujos de guerra
dentro deles mora sua alma translúcida
os jardins florescem sem expectadores
olhos vibrantes rolam sobre uma mesa
e a pobre humana língua gemegrita
há um segredo sobre seu pescoço
Duas catedrais oscilam
cartas que se espalham sem destinatário
o vestido ficou pra sempre no armário
ao lado dos medos fracos
observamos frágeis
círculos de cadeiras agora sem pernas
e resumos de pedras:
na manhã, o nosso sangue assovia a palavra ruína.
Adeus, Bonde Amarelo
Assim me despeço, Hungria suave,
dos teus reis, poetas e mártires,
da dor antiga sob a paz presente.
Levo a comiseração por tanta guerra
o sabor da comida, a língua, a gente
pelo caminho longo que percorro.
O céu ao alcance das mãos agora me afeta:
um prenúncio talvez.
Adeus, Budapeste, outra terra me aguarda,
mas levo tua doce insensatez
na distância minha espera.
Antotiopia Romana
Gosto das cores imitando o sol
figurações de uma tarde laranja
rolando misteriosa
em suave agrado
pequenos espelhos do dia
luz em toda parte.

Poemas de Viagem é uma publicação no formato livrete. Livretes são livros compactos e charmosos, geralmente com um número reduzido de páginas, ideais para leituras rápidas e portáteis.

Para participar, basta acessar a aba "Apoiar" e escolher a faixa de apoio que mais combina com você. Cada valor oferece uma recompensa especial, incluindo o seu próprio exemplar do livro, que será enviado diretamente para você assim que estiver disponível.
Publicado por Toma Aí Um Poema

A Toma Aí Um Poema nasceu como um projeto de leitura e divulgação da poesia. Criado em 2020 como podcast, evoluiu para se tornar uma revista literária interativa e, em 2024, tornou-se uma ONG dedicada à promoção da literatura. Hoje, também atua como editora comprometida com a emancipação de autores e autoras.
O Toma Aí Um Poema é a primeira editora no formato de ONG, reafirmando seu compromisso social e cultural. O trabalho vai além da publicação: busca transformar vidas por meio do incentivo à leitura, escrita e valorização das diversas vozes que compõem a literatura.
Reconhecido como um dos projetos literários mais inovadores da atualidade, o Toma Aí Um Poema acumula resultados impressionantes:
📖 1k+ autores lidos
✍️ 1k+ escritores publicados
🎧 1 milhão de players
Com sua trajetória, o projeto segue ampliando o alcance da produção artística, promovendo conexões e transformações através da palavra.
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