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O Livro
Poemas mortos é um livro de poesia social que pretende, nos moldes do que foi proposto por Lukacs e Benjamin, politizar a arte e despertar no leitor a chama da revolta. A poesia é, sobretudo, arma, como apresenta o primeiro soneto deste livro: "Meu verso não é sangue, mas é arma/ Não é criado a choro, mas espanto./E toda a vez que nele cala um pranto,/Um coração, ao longe, se desarma."
Assim, no seu conjunto, os poemas tentam tecer um retrato da realidade brasileira contemporânea, tratando da solidão moderna, do desassossego causado pelo atomismo da sociedade neoliberal hodierna e da opressão a que são submetidos nossos povos todo dia.
No fim do livro, contrastando com o pessimismo do restante da obra, há um chamado à revolta e um louvor à esperança.
O Autor
Pedro Henrique do Nascimento Lino, nasceu e vive na cidade de Americana, no Estado de São Paulo. Começou a escrever por influência de um professor no 7°ano e, nesse mesmo período, participou de uma pequena antologia de poemas, ainda muito imaturo literariamente. Desde então sego me aprimorando. Esta é sua segunda obra, que se pretende crítica e lírica.

Alguns Poemas do Livro
VII – Pressa capitalista
A todos aqueles que fogem
Corre, menino!
Corre, menino, que o ônibus já vai passar,
Que seu turno de morte vai começar
E Deus, o chefe,
Não perdoa atrasar.
Corre, menino!
Corre, menino, que a conta vai vencer
E a sua existência eles vão cortar.
Corre que a sua filha está com fome
E sua mãe não aguenta mais orar.
Corre e vê se não tropeça,
Que, se te alcançarem,
Eles vão te matar.
Corre, e corre sem voz,
Não fala nada.
O mundo é surdo,
Ninguém vai te escutar.
Corre, menino!
Corre até sua perna parar,
Sua alma chorar
E sua força esvair.
Corre que já é noite
E você não pode perder tempo,
Se quiser respirar,
Se quiser resistir.
Corre, menino!
Corre até o dia do fim,
Do juízo final;
Até o inferno,
Que é o seu destino.
Corre e não reclama,
Não há tempo.
Corre, menino!
IX – Súplica de um construtor comum
Guindaste, eleva meu corpo abatido aos céus,
Entrega-me a qualquer Deus, anjo
Ou qualquer coisa morta e divina.
Tenho fadigado tanto...
Guindaste, deixa-me subir em teus metais gelados,
Como as mãos de um cadáver,
E me esconder entre as alturas azuis.
Há monstros e bestas em minha casa,
Em minha mente.
Salva-me, guindaste, criador dos muros.
Deixa-me morder os teus degraus tetânicos.
Meu estômago dói
E já não tenho a quem pedir alimento...
Há tanto barulho...
Guindaste, eleva-me.
Largue-me, então, e permita...
Permita a minha tão sozinha libertação,
Já não aguento tanto frio.
Não tenho aonde ir
E me roubaram a brasa do sangue.
Deixa-me subir em um de seus prédios
E, pela última vez, respirar o ar dos pássaros...
XXI – Porto
Homenzinho na borda do cais,
Entre a dureza do chão
E a inconstância do sonho.
Há um homenzinho na borda do cais,
Repartido de águas,
Observador.
Homem, primeiro;
Mar, antes;
Naufrágio,
Náufrago de navios jamais desancorados:
Reflexo furta-cor das despedidas.
Homenzinhozinho ante as naus que partem e nunca foram dele.
Hominho de crenças inabitáveis,
De carregar, em seus ombros, não o peso do mundo,
Porque o esmaga,
Mas da angústia de ser só,
Hominho...
Incapaz de frutos
Nas mãos calejadas de falha,
Olhos rígidos de não olhar.
“Lá vem a Esperança,
Lá vem a Esperança!”
Grita um marinheiro ao aviso dos outros.
E o hominho assim,
Homenzinho,
Exausto:
A Esperança sempre vem,
E o mar, misterioso de planos,
Sempre a engole.
Esperança...
Navio na terceira margem da vida,
Vindo... Vindo...
E nunca.
XVII – Amor América
“Juramos que a liberdade
Levantará sua flor nua
Sobre a areia desonrada”
Pablo Neruda
América Latina, pátria grande, pátria pobre, pátria minha;
América de barro e argila,
Escultura fósmea de tormento e fé.
América de veias azuis e sangue de mar...
Ah! Minha América.
Que desejo tenho eu de ver-te liberta, finalmente,
De tocar as tuas colinas morosas,
De ver-te sorrir as flores,
De encontrar, na tua medula,
O limiar de sonhos de José Martí, de Prestes, de Bolívar, de Neruda...
Nossa América, que fizeram de ti?
Quanta falta te impuseram, quanta escravidão.
Esfaquearam teus mananciais e teus ribeiros,
Silenciaram tuas araras e aprisionaram o teu canto...
Quanta tortura, minha mãe.
Chegará o dia, no entanto,
Que todo lamento pungente
Se tornará em riso e desfruto
E o sol, que antes adormecia,
Iluminará a face dos morros e a tristeza dos doentes...
Chegará o dia, mãe terra, mãe pátria,
Da comunhão dos homens.
Agora, temos a luta e a vontade.
O Toma Aí Um Poema
O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:
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Impressão Gráfica | 800,00
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Registros, solicitações, taxas | 400,00
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