Livro PRIMEIRO DIÁRIO DA ÁGUA, de May Honorato
Curitiba, PR

Livro PRIMEIRO DIÁRIO DA ÁGUA, de May Honorato

Edição e publicação do livro PRIMEIRO DIÁRIO DA ÁGUA, de May Honorato | Toma Aí Um Poema

Campanha Financiada com Sucesso!

Finalizada em 11/03/2024

R$ 3.720

arrecadados da meta de R$ 4.100

91%

da meta 5

47

Benfeitores

—

Finalizada

Projeto Meta Tudo ou Nada

Campanha Financiada com Sucesso!

Finalizada em 11/03/2024

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O Livro

Em Primeiro Diário da Água pequenas crônicas se enlaçam a fim de representar o fluxo de vida e pensamento de Clarice que insere nas suas elaborações íntimas, falas sobre as primeiras paixões, as relações, a experiência da rejeição, o vazio e liberdade.

De coração onírico e algo triste, cresce com muitas perguntas para dentro. À medida que as novas crônicas vão se encadeando é possível acompanhar e sentir as iluminações dos processos infinitos até o dia de se perceber mulher. Uma narrativa de fácil identificação, de resgate dos cenários da infância e da imaginação de uma menina aprendendo a ser ela mesma.

A Autora 

May Honorato é compositora, cantora e escritora. Na música, iniciou carreira com o primeiro show autoral 2010 na cidade natal, Viçosa, no interior do estado de Alagoas. Lançou em 2020 o primeiro álbum, “Clarão” que tem um sotaque e arranjos nordestinos fortes. Em 2022 lançou seu EP “Estranho Familiar”. Em 2023, singles e parcerias gravadas por outres artistas. Sempre autoral, de forma que a escrita veio através da composição, como ideias que não cabiam nas canções e pediam mais espaço e tempo. A escrita vem ainda por meio da influência de seu pai, o poeta Audálio Honorato que junto à Dona Isabel assegurou que a poesia sempre estivesse em casa. May está em processo de conclusão do primeiro livro de poemas. Reside atualmente na cidade de Maceió.

Reside atualmente na cidade de Maceió.

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Alguns Trechos do Livro

 Os ossos do rio

A morte, quando precisa fazer uma coisa, não se faz de rogada, e no infeliz cumprimento das suas funções buscou poucos anos depois da velha inicial, minha bisavó, alguns tios e um dos meus irmãos. Não passava ainda dos 10 anos. Julgando entender tudo que se passava, criava uma situação de conforto - assim eu imaginava - para os adultos que precisavam lidar com aqueles rituais, não fazia perguntas, não expressava descontentamento, pelo maior tempo que conseguia, e tentava manter as outras crianças focadas em qualquer outro acontecimento ou possibilidade.

Um dia, dando espaço para que se resolvesse na sala como receber um morto, saímos em grupo para o rio, agora não recordo o porquê de atravessarmos, mas lembro da visão das pedras angulosas, umas lisas, outras ásperas refletidas nos nossos olhos que calculavam os saltos.

Estava ali de fora o esqueleto do rio, tive pena dentro do pensamento que o rio ou não devia estar almoçando direito por passar privação ou estava magro de tristeza, tristeza dava muito fastio. Pensei, como se tivesse sido iluminada, que o rio talvez estivesse triste pelas nossas distâncias, a cada perda nova. Afinal, ele estava ali do lado sempre observando tudo calado, devia pensar sobre nós. Fiquei triste de não ter percebido antes que o rio andava magrinho e, ali, contribuí com umas lágrimas discretas e envergonhadas. Atravessamos.

1 (...)

Um dia, sentou-se em um banco ao lado do banco em que eu estava. Coisa nenhuma conseguiria me explicar o suficiente da minha fúria. Estava imóvel e retorcida nos pensamentos, torcia que não viesse, não venha, não venha! Lamento por tudo, vou embora. E não vinha, acalmavam as águas. Penso que eu devia assustá-lo de alguma forma. Eu assustava a mim mesma, convenhamos. Foi deitada naquela noite que comecei a fazer o inventário do que me agradava nele.

A lista:

- Cabelos pretos

- Olhos pretos

- Sorriso largo

- Andar curiosamente lento e desconjuntado como se estivesse com dor nos pés

- Um olhar furtivo que vacila às vezes demorava em mim, uma demora encantada, mas ameaçadora.

- Não ter sido responsável por me pregar nenhuma peça de ilusão

(Sempre soube que poderia ser tão rude, ruim, uma invasão fria, que não o quis nunca por perto)

Em algum momento, me surpreendi com uma lista de características muito próximas de mim mesma, o que isso me dizia? Deixei de lado a ideia, assim eu pensei, mas às voltas na cabeça, mas ela foi capaz de roer um canto da admiração gratuita por ele e me ausentei por algumas semanas. Depois, refiz os passos que me levaram à boniteza daquela figura e como se me reencontrasse, conciliada com a semelhança, o vi em um banco de praça sozinho onde me esperava para começar nossas trocas internas distantes, sem interferências um do outro.

Precisava, porém, o amor, que as coisas se invertessem. Para o infortúnio dos sonhos, crescemos e as nossas mãos estragaram a graça dos mistérios.

O Toma Aí Um Poema

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O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:

1k+ autores lidos |   1k+ poetas publicados    | 1 milhão de players

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Modalidade

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