Conheça a campanha

“O Poema e Outras Proezas” reúne 30 poemas escritos ao longo de quase dois anos, atravessados por inquietações, descobertas e pela busca de um lugar de existência.
Dividido em três partes: “As proezas”, “O poema” e “Comedor de memória”, o livro apresenta reflexões sobre as relações humanas, os sentidos, os afetos, as dores e os encontros com o outro e consigo mesmo.
A obra transforma experiências íntimas e sensoriais em poesia, conduzindo o leitor por uma travessia marcada pela intensidade, pela memória e pela tentativa de compreender o que é ser gente.

Luan Luna é cearense, natural de Caririaçu, na região do Cariri, importante polo cultural do país.
Estudante de História pela Universidade Regional do Cariri, encontrou na literatura e na poesia uma forma de expressão e sobrevivência durante um período de transformação pessoal.
Influenciado pela obra de Adélia Prado, desenvolveu uma relação profunda com a escrita, atravessada por suas vivências, pelo ambiente cultural interiorano e pelas experiências sociais e afetivas que moldam sua trajetória.


Meu rebento
E em meio a dureza da pedra
e a força de uma natureza rude,
corre meu rebento.
Leve e determinado ele vai,
como se pisando em nuvens,
dando pulinhos entre um passo e outro
como se pudesse, a cada salto
furtar de um passarinho a ideia do voo.
Carregando em seu apressado correr a gana,
a ânsia,
a ansiedade dos seus poucos anos
com a ideia que o tempo e a vida já me furtaram,
de querer engolir o mundo com a boca,
de querer ser eu mesma o mundo e consumí-lo
e se desfazer em cacos e em pó de areia,
podendo assim cada partícula estar em tudo que quer.
Meu rebento corre
corre sem olhar para trás
e seu limite é a dor
corre até onde pode ignorá-la e correr
sem tê-la como correntes em seus calcanhares.
Meu rebento corre,
corre esquecendo que é meu,
vai e esquece da minha presença em seu rastro,
bem atrás de seus passos
onde quase não posso alcançar e quero,
em desesperado amor,
alcançá-lo e tê-lo para mim.
Já não é mais o meu rebento quem eu carregava no colo,
quem eu amava sem querer medir e controlar,
quem eu amava na tentativa de ter eterno.
Já sei que não posso tanto quanto meu rebento
não guardo mais o que ele tem em juventude,
a rapidez e a coragem de um colibri
em busca de mel de flor.
Já os dias me disseram,
já me acumularam a vagareza e o compassado de meus passos
e espero, enfim, o momento em que meu rebento retornará ao ninho
e quando finalmente poderei retornar, junto a ele, o meu amor
fazer comida
alimentá-lo, como no peito,
tê-lo em meu colo
e lhe guardar em mim.
Meu rebento é broto verde que dói n’Alma
e eu farei sombra, sol e chuva.
Anseio
Não há nada que eu pense mais
do que num amor de fruta madura,
aquele que nos retorna ao sentimento mais nutrido do cordão umbilical,
um amor de raízes,
como aqueles das histórias que mamãe contava,
tão puro quanto o do Criador por Maria.
No encalço empobrecido do dia, não sobrou tempo
para um amor rasgado
e nas perdidas horas que me restavam,
eu pensava em ter algo assim
amor de iguais.
Foi quando me percebi tão completa como nunca,
anuviada pelo que sonhava
e pelos caminhos que precisei no corredor da memória.
E quando me vi em infinito amor comigo mesma,
em pleno questionamento, me senti tocada
e, em silêncio, a mim mesma sussurrei:
Talvez fosse de um anseio que eu precisava.
Ofertório
Quero te oferecer todo o escárnio
de uma noite de prazer
Todo impudor
Toda a deselegância de palavras grandes,
tão grandes quanto o desejo,
sussurradas no ouvido,
num contato próximo,
ou espalhadas como confetes em dia de festa
no momento do renascer do gozo.


Para participar, basta acessar a aba "Apoiar" e escolher a faixa de apoio que mais combina com você. Cada valor oferece uma recompensa especial, incluindo o seu próprio exemplar do livro, que será enviado diretamente para você assim que estiver disponível.
Publicado por Toma Aí Um Poema

A Toma Aí Um Poema nasceu como um projeto de leitura e divulgação da poesia. Criado em 2020 como podcast, evoluiu para se tornar uma revista literária interativa e, em 2024, tornou-se uma ONG dedicada à promoção da literatura. Hoje, também atua como editora comprometida com a emancipação de autores e autoras.
O Toma Aí Um Poema é a primeira editora no formato de ONG, reafirmando seu compromisso social e cultural. O trabalho vai além da publicação: busca transformar vidas por meio do incentivo à leitura, escrita e valorização das diversas vozes que compõem a literatura.
Reconhecido como um dos projetos literários mais inovadores da atualidade, o Toma Aí Um Poema acumula resultados impressionantes:
📖 1k+ autores lidos
✍️ 1k+ escritores publicados
🎧 1 milhão de players
Com sua trajetória, o projeto segue ampliando o alcance da produção artística, promovendo conexões e transformações através da palavra.
Contato
@tomaaiumpoema