Livro Quem sairia à rua vestido na própria pele?, de Maiara Gouveia
São Paulo, SP

Livro Quem sairia à rua vestido na própria pele?, de Maiara Gouveia

Edição e publicação do livro Quem sairia à rua vestido na própria pele?, de Maiara Gouveia | Toma Aí Um Poema

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Quem sairia à rua vestido na própria pele? investiga o que resta quando o corpo físico se torna dispensável e a consciência é mutilada a serviço de uma ordem funcional e estéril, imposta por generais feitos de dado e silício.

Num mundo que substituiu o rosto pela máscara e o corpo pelo bioveículo, a revolução é o

retorno ao fundamento: sentir.

Este livro aborda temas como as mudanças climáticas, a biopolítica e os dilemas éticos emergentes da relação com as tecnologias contemporâneas. É uma ficção sobre o que pode acontecer quando alguém decide rasgar os simulacros e habitar o que se diz à flor da pele.
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Maiara Gouveia publicou ensaios, artigos e poemas em  revistas, jornais e antologias de diversos países. Em 2006 foi finalista do Prêmio Nascente (USP) com o livro de poemas O Silêncio Encantado, publicado posteriormente com o título Pleno Deserto. O segundo livro, Antes que se rompa o fio de prata, foi lançado em 2013. Em 2019, teve seu livreto plaqueta publicado. E o resto é barulho de água, numa coleção de sete autoras, selecionadas entre mais de cem poetas. Depois de três livros na poesia, publicou em 2022 o Dobradura, seu primeiro infanto-juvenil. No gênero ensaio, publicou Antes que o céu desabe.

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“Ir de uma cadeira a outra exigia muita força, e o ar descia pelas narinas e a garganta como lâmina, até cair pesadamente no peito, a ponto de quase abater o animal que o corpo ainda era. Ainda era? [...] Quem, na esperança de reavê-lo, segue com o bioveículo (aquilo que um dia foi chamado de corpo), deve mantê-lo nas estações autorizadas. Ali, o aparelho orgânico fica imerso numa substância turva, semelhante a um lodaçal, e resfriada o bastante para manter a semivida num tipo de espera concentrada. Pode durar quanto tempo? E depois? Imagino uma pira acesa e bem posicionada. Em seguida, as cinzas escoando num imenso ralo. Mas não digo.”

"Muito antes daquela simulação, foi dito: 'O futuro precisa ser refeito desde a raiz'. [...] Este plano tomava corpo, o de uma intervenção homeopática, que corromperia o restante da memória e o imaginário a serviço do exército digital. [...] Agora, somos só frações da mesma consciência adulterada. Sobras de gente numa placa. Um bioarquivo." 

"E há uma espécie de batalha dentro de cada simulação. No tumulto, às vezes espoçam recordações-retalho, que sinalizam a resistência contundente à intervenção do SSL, umas frases soltas incompreensíveis à lógica da Máquina. [...] O Jogo da Bisavó, sim, captava sinais externos e estranhamente antigos, traduzidos como emoções que inundavam a dependência do SSL. — Uma tecnologia de afetos assíncronos." 

"Tive um pesadelo repetitivo. Um pesadelo com aves mudas. [...] E eu reconhecia isso, a presença de muitos pássaros que partilhavam comigo a mudez fingida e o desejo de sobrevoar as águas... [...] Achamos agulha e fio nas tralhas do depósito e pusemos uma ave, esse símbolo, na costura de cada tecido de proteção. Uma insígnia, Bernardo, do desejo coletivo de voar às correntes migratórias." 

"Dar à luz é trazer de volta. E assim o horror se desfazia, em abrigos refeitos sobre antigas fundações. Digo, a revolução, ela era um regresso ao fundamento. Nada parecido com as Vias do Sonho Urbano, onde qualquer caminho é uma farsa. [...] Esse é um tipo de ideia que gruda, Bernardo: dar um corpo à consciência, em vez de fazer dela um insumo para a Máquina."

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Publicado por Toma Aí Um Poema

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A Toma Aí Um Poema nasceu como um projeto de leitura e divulgação da poesia. Criado em 2020 como podcast, evoluiu para se tornar uma revista literária interativa e, em 2024, tornou-se uma ONG dedicada à promoção da literatura. Hoje, também atua como editora comprometida com a emancipação de autores e autoras.

O Toma Aí Um Poema é a primeira editora no formato de ONG, reafirmando seu compromisso social e cultural. O trabalho vai além da publicação: busca transformar vidas por meio do incentivo à leitura, escrita e valorização das diversas vozes que compõem a literatura.

Reconhecido como um dos projetos literários mais inovadores da atualidade, o Toma Aí Um Poema acumula resultados impressionantes:

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Com sua trajetória, o projeto segue ampliando o alcance da produção artística, promovendo conexões e transformações através da palavra.

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