Meu primeiro Romance - Sangue
São Paulo, SP

Meu primeiro Romance - Sangue

Entre segredos familiares e fantasmas da ditadura, duas mulheres cruzam destinos em uma floresta onde o passado nunca morre. Um thriller sobre herança, vingança

Campanha Financiada com Sucesso!

Finalizada em 10/08/2025

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A HISTÓRIA

Após anos afastada de suas origens, Clara retorna ao interior para o velório de sua avó Lourdes, uma figura tão poderosa quanto silenciosa, envolta em lendas, temores e um império solitário construído em meio à mata fechada. 

Enquanto isso, Jéssica, uma mulher marcada por uma perda irreparável, segue seu próprio caminho até Lourdes. Seu pai, torturado e morto durante a ditadura militar, teria conexão com o passado sombrio da matriarca que protegeu o homem responsavel por todo seu sofrimento. Obcecada por vingança, Jéssica arrasta consigo Vicente, um aliado fiel e violento, cruzando fronteiras éticas e físicas para se aproximar de Clara — até descobrir que a justiça que persegue talvez esteja enraizada em outra direção. 

Enquanto Clara tenta proteger o que resta de sua linhagem, vê-se forçada a confiar em Jéssica, mesmo sem saber que é ela é a grande ameaça. Juntas, as duas mulheres cruzam a floresta carregando segredos que podem matá-las — ou libertá-las.

OBJETIVO DA CAMPANHA

Esta campanha tem como propósito garantir a continuidade do processo criativo do projeto Sangue. Fruto de anos de dedicação e pesquisa em diferentes linguagens, Sangue nasceu como o roteiro de um curta-metragem, evoluiu para o argumento de um longa e, hoje, ganha forma como um romance, desenvolvido em paralelo ao novo roteiro cinematográfico.

QUEM VOCÊ ESTÁ AJUDANDO?

Meu nome é Caetano Grippo. Para quem não me conhece, sou artista multidisciplinar com formação em Direção Cinematográfica pela Academia Internacional de Cinema e Bacharelado em Artes Visuais pela Universidade Belas Artes. Minha trajetória une cinema, artes visuais , literatura, psicanalise, psicologia e diversos outros conhecimentos. Sou apaixonado por explorar temas existenciais e principalmente a nossa realçao com os símbolos e com a alma.

CONTATO

e-mail: caetanogrippo@gmail.com

instagram: http://www.instagram.com/caetano.grippo

PRÓLOGO

Lourdes construiu sua vida sobre as terras que seu pai havia desbravado no interior inóspito do país. Ele vivia dizendo que “a mata guarda a verdade” e, embora fosse um homem rígido, com poucas demonstrações de afeto, era com essa frase que expressava seu amor pelo lugar. Distante de tudo e de todos, foi lá que ele criou Lourdes, com a ajuda de seus homens de confiança.

Homens que o ajudaram a desbravar aquele lugar, sacrificando-se para cuidar da menina, mesmo após a morte repentina e trágica do dono daquelas terras. Ninguém viu o que aconteceu, ninguém nunca achou o seu corpo. Disseram que foi comido por algum animal que não deixou sobrar nem os ossos.

Lourdes ainda era uma criança que se aproximava da adolescência, mas logo perceberia que aquela proteção oferecida pelos homens não duraria muito tempo. Demonstrando perspicácia, conseguiu articular o que era preciso para controlar cada um deles. Seu pai a ensinou a lidar com aquelas pessoas.

Foram décadas para construir tudo o que sempre teve, sem ninguém saber ao certo o que ela conquistou, muito menos o que foi preciso fazer para manter tudo ao seu alcance. Sobre isso, ela nunca falou com ninguém. Talvez tenha deixado anotações que o tempo apagou. Recados que na sua maioria não encontraram seu destinatário.

Algumas pessoas diziam que toda a cidade era do pai de Lourdes e que ela havia continuado o seu trabalho, ampliando as fronteiras daquelas terras. Com o passar dos anos, ela começou a vender pequenas frações para as pessoas que hoje habitam aquela região. Ninguém sabe onde a cidade começa, nem onde termina. Era como se as casas, espalhadas ao acaso, brotassem da terra como as árvores da mata, entremeadas por caminhos tortuosos e irregulares que se perdiam em meio à vegetação densa. Árvores antigas, de troncos grossos e retorcidos, estendiam suas copas de galhos entrelaçados como uma barreira natural, bloqueando quase completamente a luz do sol. O ar ali tinha um cheiro de umidade e madeira antiga, como se o tempo parasse nas sombras das árvores. Tudo era distante, de difícil acesso. Exatamente do jeito que o seu pai gostava.

Lourdes teve dois filhos, mas eles mal fizeram parte de sua vida. Ainda jovens, partiram para a cidade grande, em busca de uma vida que as terras da mãe não poderiam lhes oferecer. Ouviam sempre sobre a cidade grande, como um sonho, uma promessa, e na primeira oportunidade partiram. A separação foi rápida e quase indolor, como se já houvesse, desde sempre, uma barreira invisível entre eles. As visitas eram raras, esporádicas, e Lourdes nunca fez questão de prolongá-las. Não havia afeto a ser recuperado, apenas uma formalidade fria, marcada por conversas superficiais e olhares vazios. Se havia algum outro afeto entre eles, ninguém nunca presenciou.

Ela os observou partir como se os laços de sangue não passassem de um detalhe, algo que não moldava a sua percepção. A mata e as terras, essas sim, eram suas verdadeiras heranças. Era ali, entre os segredos e o isolamento, que Lourdes depositava sua atenção.

Algumas pessoas dizem que ela matou e enterrou o marido no meio da floresta. Outros dizem que nunca houve um marido, que poderia ser qualquer um que estivesse passando por ali. Ninguém ao certo sabia a verdade. Somente quem pudesse unir os fragmentos da história da família, talvez, compreendesse como as coisas funcionavam.

Uma das poucas certezas sobre a vida de Lourdes é que seus filhos se reaproximaram quando sua primeira neta nasceu, e Lourdes, pela primeira vez, descobriu o amor maternal que nunca havia experimentado. Pelo menos era assim que as pessoas ao redor percebiam.

Uma vez ao ano recebia a visita de sua pequena neta e parava tudo para aproveitar a presença de Clara. Seu filho até cogitou que ela se mudasse para a cidade grande com eles, assim poderia estar mais presente, mas Lourdes jamais abandonaria a mata.

E nunca abandonou.

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