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O Livro
Neste livro, a autora luta para ficar de pé, em meio a um despejo de notícias que teima em destroçar o que ela mais ama. Os poemas e fotografias prolongam o júbilo decorrente de atos tão simples como o prender de um maço de cabelos. O Amor é personagem recorrente, em seus convites acumulados ao desconhecido. Nua sob a luz do luar, a autora flutua – e convida quem a lê a fazer o mesmo. Com as mãos suadas, ouvindo o canto de anjos, ela compartilha os mistérios com que se deparou numa vida que brilha com ainda mais força no mês de Agosto.

A Autora
Alana Aÿnore reside em Aracaju-SE, onde desabrochou em agosto de 1995. Atua como fotógrafa, cineasta, artista visual, poeta, bailarina, e terapeuta holística. É graduada em Artes Visuais-Licenciatura pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), mestranda em Cinema (UFS) e desenvolve trabalhos voltados à concepção do ser humano enquanto parte integrada de um todo natural. Sua criatividade é inspirada por um pouco de cada linguagem artística, pelo ressignificar do tempo e pelo eterno movimento contido nos ciclos orgânicos da vida. Poesia em luz e sombra, vê-se movida pelas belezas contidas nas Artes e na Natureza.
Comentários
A Alana alada gaivota votiva nada escapa ou escapole: seu olhar capta sem capturar, tomar posse, sequestrar. Não rapta, dança em ruptura. Impressiona que essa primeira fornada de escrita seja tanto intensa quanto imensa. Vasta e devastadora. Tantos poemas, tantas imagens, tanto desejo de compaixão e amorosidade pelo grande mundo e pelo pequeno gesto. Não apenas das corrosões humanas mas também das impermanências provisórias do que sempre esteve aqui e a todo segundo se transforma pra ser exatamente o que é: poesia.
- Chico César. Cantor e Compositor.
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"Repara no silêncio da existência" é Alana literalmente tragando o leitor para dentro dela. Ora pela poesia visual das fotos que em preto e branco parecem ser memórias nossas, ora pelo aguçamento de todos os sentidos que se fazem experiência real enquanto lemos. Ela não só provoca sensações detalhadas, como também oferece os próprios olhos para quem quiser ver. Absolutamente sensorial, a obra tem movimento, personalidade própria e permanece viva do começo ao fim.
- Fábio Sabath. Coreógrafo, dançarino e escritor.
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Uma existência oceânica. É o que define o livro de poemas de Alana Aÿnore. Olhar para o cotidiano com um olhar poético, captando aquilo que há de mais efêmero. Aquilo que não é visto se não for reparado com cuidado, e assim repara, no sentido de curar, de reparar a dor. Assim como um banho de mar repara qualquer dor que exista na gente. Sua poesia captura os minutos, assim como suas imagens. Porque é isso que a poesia faz. Ela salva os minutos e assim também nos salva.
- Thais Medeiros. Professora, Mestra em letras e Doutoranda em Estudos Literários.
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As pessoas verdadeiramente realizadas não desistem. Alana exala cheiro de poesia. Há uma década sinto esse aroma. Seu olhar é poético, sim, vejo uma imensidão ao olhá-la, vejo ondas também é bem verdade, mas a calmaria transcende segundos após agitação. Ela é capaz de manter o foco no que de fato é importante. O livro traz consigo aquele aroma que a pouco relatei. Em suas páginas lerá ondas e calmaria. Teletransportará para uma vivência única e valiosa do instável no amor e na dor.
- Wisla Cruz. Bancária, eterna curiosa para desvendar a alma do mundo, reparadora.
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Ainda que nenhum dos poemas de Alana repita a ênfase do verbo impresso na capa, ele atravessa todo o seu livro como um tom dominante para a leitura. É como se cada página nos sussurrasse: repara. No mundo, nas coisas, nos afetos, na palavra e no silêncio que insistem em nós. Fica-nos a lembrança de que tudo está por ser visto, vivido, dito, escrito. Repara, estamos apenas começando.
- Fernando de Mendonça. Professor de Teoria Literária, escritor, poeta e reparador.

Alguns Poemas do livro
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Se você não engole a saliva
Ela nasce e morre molhada
Ela berra por ficar calada
Se você engole a palavra
Ela escorre o sabor da vida
Se soa a intenção ritmada
Se você não engole a ferida
Ela move canção preparada
*
Tudo se vai
A folha da árvore cai
O rio desemboca no mar
A águia no horizonte se esvai
Tudo caminha para se encontrar
Tudo se vai
Sem que se dê conta
Já foi
Fixa nos olhos indagação
E como se não bastasse a imaginação
Aquilo de antes, durante e depois
Tudo se vai
Tudo se foi
*
A falta
É um coqueiro
Sem palha
Tem memória
De movimento
Mas segue
Parado
No tempo