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O Livro
Soneto aos olhos e outras impressões é, como o título vem a dizer, um livro de sonetos. Fazendo uso do estilo clássico (que legou ao ocidente e ao mundo a escrita de autores como Camões, Augusto dos Anjos, Olavo Bilac, Florbela Espanca, entre outros), o autor encontrou um meio de imprimir o que de mais flagrante sentiu necessário escrever. O amor; a saudade; um acontecimento do cotidiano; a descrição minuciosa de um quadro… sentimentos que ficariam guardados na memória e que, ao longo de reflexões e investidas frente ao papel, tomaram a forma que tão bem expõe e resume uma visão humana — a forma fixa em dois quartetos e dois tercetos…
Sem a rigidez vocabular de um parnasianismo ou as insinuações subjetivistas de um simbolismo (movimentos literários cujas produções poéticas serviram de inspiração para o autor, indubitavelmente), mas fazendo uso dos decassílabos tão explorados naquelas formas de escrever poemas, a seleção de sonetos aqui apresentada é o relato de uma experiência contemporânea.
Seja a partir dos encantos advindos da Musa, seja a tentativa de capturar uma imagem panorâmica da paisagem citadina, cada escrita é uma tentativa de tornar o testemunho ocular do autor em fruição estética — compartilhando-a, assim, com seu público.
Dada a configuração da obra, reclama ela apenas a cumplicidade do leitor, a paciência para com aquele que, iniciando no mundo das letras, procura espaço para exibir seus arranjos escritos e torná-los, na medida do possível, de uma compreensão universal.

O Autor
Wallace Silveira Azambuja tem 27 anos, mora em Porto Alegre (RS) e faz graduação em Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Seu gosto pela leitura começou bem antes do ingresso na universidade, remontando aos tempos em que lia gibis e outras revistas ilustradas. Seu contato com uma literatura “mais madura” deu-se nos estudos para o vestibular, ao ler obras que o fizeram perceber o mundo de outras maneiras. Já no curso de Letras, teve o prazer de tomar conhecimento de autores da língua portuguesa como Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Dyonélio Machado, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa… e aquele que pode se dizer um dos mais decisivos para suas primeiras investidas na poesia: Augusto dos Anjos, cujo soneto Versos íntimos fora memorizado sem muito trabalho. Nessa iniciante jornada poética, o autor tem um poema publicado em uma antologia lançada no início do ano de 2023 e outros três poemas selecionados para fazer parte de uma revista eletrônica, lançada em fevereiro do mesmo ano.
Alguns Poemas do Livro
SONETO AOS OLHOS III
Me perco observando o seu retrato:
Os olhos (sempre eles) me dominam;
Percebo então a rósea cor dos lábios,
O piercing de adereço e à mostra os brincos…
Tão bem na foto o rosto é iluminado
Que mais detalhes ver logo imagino:
Um riso, assim, discreto, equilibrado,
Parece dar um charme a esse registro.
Cabelos ajeitados sobre o ombro;
Colar dourado e fino em seu pescoço;
Ao fundo algum lugar, a residência...
Cenário em que ela posa desse jeito,
Olhando para a frente e recebendo
A luz em sua face tão perfeita.
*
SONETO AOS OLHOS VII
Quais formas aplicar, senão poemas
No afã por descrever o indescritível?
Em que lugar reter as sutilezas
De modo a serem traços redivivos?
Assim como se fossem prateleiras
De base a conservar cada registro,
Os versos, pois, são rápidas maneiras
De relembrar imagens por escrito.
Tornar eterna aquela circunstância
Em que se vê o semblante, a elegância
(Detalhes tão difíceis de explicar).
Um perfil anotado e depois lido,
De apontamentos cheio, permitindo
Tal face ver mais uma vez, o olhar…
*
FOGO ETERNO
Lampeja em mim, sem dúvidas, por dentro
Cristalizada luz, energizada
Por obra não das águas, nem dos ventos,
Mas sim de humana fonte, apaixonada...
Produz, naturalmente, a mesma carga
Capaz de abastecer um ano inteiro
As noites de calor necessitadas,
Os dias de vigor, de movimentos...
Fagulha que acendi, que foi crescendo,
Chegando à forma rara: um fogo intenso,
Teimosamente aceso, a difundir
As cores num papel vazio, em branco,
Traçados cujos dedos meus, riscando,
Existem só por essa luz sentir...

O Toma Aí Um Poema
O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:
1k+ autores lidos | 1k+ poetas publicados. | 1 milhão de players
Orçamento - 50 exemplares (2300 Reais)
Impressão Gráfica | 600,00
Material de envio e fretes | 600,00
Serviços Editoriais | 600,00
Registros, solicitações, taxas | 400,00
Margem de segurança | 100,00