Conheça a campanha
A Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona se estrutura hoje como uma companhia de multidireções na composicão de seu repertório. Ao lado de Camila Mota e Marcelo Drummond, um time de artistas do Oficina tem experimentado a direção de espetáculos, como Cafira Zoé, Cyro Morais, Fernanda Taddei, Felipe Botelho, Mayara Baptista, Marília Piraju, Rodrigo Andreoli e Roderick Himeros. A saída de cena de Zé Celso, num ato trágico, nos move em direção à ação. É preciso continuar. O gigantesco espaço vivido por esse gênio de múltiplas grandezas cria um mangue de possibilidades, num campo aberto para o florescimento de primaveras, novas ficções, memórias, narrativas, imaginações e desejos para o Teat(r)o Oficina aqui e agora. Desejo de reexistir, invenções cênicas, criações de coros, de times, ritos, shows, peças, todos em pleno movimento de regeneração: só se existe em ato
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ORÇAMENTO ANUAL
Os espetáculos, desde os sertões, tem uma multidão na equipe – por volta de 60 pessoas. O trabalho é muito caro, valioso e exige dedicação. Iríamos muito além, com as condições de pagar bem ao time que não só monta e atua nos espetáculos, mas está ligado no tudão, na manutenção do espaço, na concepção da expansão urbana, na continuidade do projeto de Lina Bo Bardi e da linha estética da companhia, que existe desde 1958.
Manter a companhia o ano todo + a montagem de espetáculos + manutenção do melhor teatro do mundo, segundo o jornal The Guardian é um desafio cada vez mais complicado. Além do prédio do teatro oficina, que é de propriedade do Estado de São Paulo, mas tem todas as despesas – água, luz, limpeza, reparos – inteiramente mantidas por nós, posseiros, a Companhia mantém a casa de produção e um acervo de cena e figurinos na rua Maria José, e um depósito no sacolão, embaixo do minhocão, para grandes objetos.
Além da montagem dos espetáculos, existe uma despesa mensal para esse acervo e para o time que realiza esse trabalho, sem falar na necessidade de treino dos atores e cyberartistas, nos trabalhos diários de música, dança, tecnologias, estudos.

TRAJETÓRIA DE LUTA
Criado coletivamente há mais de 6 décadas por quase 2000 pessoas, entre artistas e atuadores de todas as áreas, o Teatro Oficina teve como diretor o maior encenador brasileiro, José Celso Martinez Corrêa. Um dos expoentes dessa criação é a sede da companhia, o prédio, obra de arte de Lina Bo Bardi e Edson Elito, tombado como patrimônio nacional, localizado no bairro do Bixiga, um mangue fértil da cidade, que luta para não ter toda forma de vida, diversa e potente, esmagada pela especulação imobiliária. No Teat(r)o Oficina arquitetura e encenação são indissociáveis y por essa alquimia, em 2015, foi reconhecido pelo jornal britânico The Guardian como o teatro mais bonito e intenso do mundo, seguido por Epidaurus, na Grécia! Arte, cultura y imaginação são infra–estruturas da vida, fundamentais para enfrentar momentos de crise e instabilidade como os que atravessamos agora. Há quase 66 anos a companhia Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona produz, ininterruptamente arte, ciência y cultura. Somos um movimento, uma potência. Uma linguagem.
Essa campanha é um movimento coletivo de amantes da arte e da vida, é um ato político de alegria e de luta! Um movimento que deseja o Teat(r)o Oficina forte! Calibrado técnica e artisticamente em sua plena potência. A valoração econômica, através dessa campanha de financiamento recorrente é fundamental para a manutenção do edifício, obra de arte tombada pelo CONPRESP, CONDEPHAAT e IPHAN e premiada na Quadrienal de Praga.
A bilheteria, até os anos 60, foi a principal fonte de renda das companhias. A tradição de pagar o ingresso pela cultura existiu mesmo em grupos com financiamento, como foi o caso do TBC, onde Franco Zampari, em 1948, aglutinou milionários da elite paulistana para investir em um teatro de repertório com o pagamento permanente de artistas e técnicos. A constelação do TBC era formada por uma geração que teve Cacilda Becker, Adolfo Celi, Sérgio Cardoso, Paulo Autran, Tônia Carreiro, Cleyde Yáconis, Walmor Chagas – artistas que saíram desse celeiro de criação e fundaram muitas outras companhias, capitaneadas por essas estrelas. As jovens companhias surgidas a partir do fim da década de 50, como o Teat(r)o Oficina e o Teatro de Arena, com estruturas de criação e linguagens muito diferentes tinham também a bilheteria como importante fonte de renda. Além de parte fundamental do orçamento, é a valoração direta entre artistas e o público. As sessões de terça a domingo, foram substituídas por curtas temporadas. A bilheteria, substituída por leis de incentivo. Essa campanha é portanto uma maneira de reinventar uma economia da cultura.