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O Livro
O livro Tempo que envelhece sem querer reflete a relação da autora com o tempo. Ao tornar-se mãe na adolescência, ela precisou amadurecer precocemente, e o tempo – essa construção humana – sempre esteve presente em suas inquietações e reflexões.
As poesias reunidas no livro estão organizadas em três momentos: I - Antes do mundo de ponta cabeça, que reúne textos escritos antes da pandemia da Covid-19; II - Nos anos que a Terra parou, referente às vivências durante a pandemia; e III - A volta para o mundo, que retrata o retorno à realidade no período pós-pandêmico. As últimas poesias abordam o processo de (re)conhecimento de si mesma e a descoberta da solitude.
A Autora
Cecilia Guimarãesé professora, mãe, poeta e pernalta, nascida e criada em Niterói-RJ, especificamente em Itaipu. Mãe na adolescência, ela contou com uma rede de apoio formada por mulheres, o que lhe permitiu seguir seus estudos. Concluiu o ensino médio, ingressou no curso de História em uma universidade pública e, posteriormente, realizou especialização, mestrado e doutorado. Sua trajetória de vida é marcada por superações, conquistas, amizades, persistência, amores, muito trabalho, carnaval, músicas e poesias. Neste ano, acompanhada por filhos adultos, ela está (re)aprendendo a viver e a ouvir o próprio silêncio. Cecilia encontra grande inspiração em escritoras como Clarice Lispector, Florbela Espanca e Hupi Kaur, entre outras. Atualmente, atua como coordenadora e professora universitária, mantendo-se em constante reinvenção.

Alguns Poemas do Livro
Poesia 10.
Poesia 10
no prédio desabando,
a poeira cai devagar,
silenciosa
não há sequer ruídos
de paredes velhas
restam apenas lembranças
fotos antigas
perdidas
em algum lugar
Poesia 13:
escrevia saudades
num guardanapo
de bar.
manchava o papel
com lágrimas
salgadas.
o abraço era uma
lembrança da infância,
tão forte,
que por um momento
parecia ouvir a sua voz...
iludida ficava ali,
buscando uma forma
de diminuir a distância
e a dor do tempo
Poesia 19:
13.03.20
minhas mão gastas
e mais velhas
do que eu
denunciam um tempo
que corre e
permanece inerte
num antagonismo insano
na memória
um mesmo dia
daquela sala de aula
e da pergunta
por que estudar história?
o que responderia
Marc Bloch
se vivesse esta
pandemia político-social?
o que diria
Koselleck
com tantos presentismos
batendo a sua porta?
o tempo,
este criado
pelos homens,
segue egocêntrico
e autoritário
sem nos poupar
Poesia 27:
clichê
aquilo
que
banaliza
repete
que
de tanto
ser
vira
verdade
clichê
esta
história
de não se
reconhecer
tô aqui
há horas
olhando
esta mulher
no espelho
esperando
clichê
passar
Poesia 44
quase 4.5
estou
aprendendo
a lidar com
o silêncio
da minha
própria voz
foram
necessárias
mais
de quatro
décadas
para ouvir
minha voz
somente
dentro da
minha cabeça
O TOMA AÍ UM POEMA

O Toma Aí Um Poema nasceu como um projeto de leitura e divulgação da poesia. Criado em 2020 como podcast, evoluiu para se tornar uma revista literária interativa e, em 2024, tornou-se uma ONG dedicada à promoção da literatura. Hoje, também atua como editora comprometida com a emancipação de autores e autoras.
O Toma Aí Um Poema é a primeira editora no formato de ONG, reafirmando seu compromisso social e cultural. O trabalho vai além da publicação: busca transformar vidas por meio do incentivo à leitura, escrita e valorização das diversas vozes que compõem a literatura.
Reconhecido como um dos projetos literários mais inovadores da atualidade, o Toma Aí Um Poema acumula resultados impressionantes:
📖 1k+ autores lidos
✍️ 1k+ escritores publicados
🎧 1 milhão de players
Com sua trajetória, o projeto segue ampliando o alcance da produção artística, promovendo conexões e transformações através da palavra.
Contato
@tomaaiumpoema