Conheça a campanha
A aldeia Kamayurá segue o modelo altoxinguano, com casas dispostas mais ou menos circularmente, cobertas de sapê, e de teto arredondado até o chão. No centro desse espaço circular encontra-se um pátio ou “praça” (hokayterip) para a qual convergem os caminhos, conduzindo tanto às moradias como aos lugares públicos, onde se ergue a casa das flautas (tapyyji), atravessada medianamente pelo “caminho do sol”. Um pouco mais distante do centro principal da aldeia, entre a casa do Cacique Kotok e a Lagoa, está a Escola Mavutsiní.

A Escola Estadual Indígena Mavutsinín, tem alguns objetivos principais:
- preservar e resgatar a cultura Kamayurá
- capacitar jovens e crianças no uso dos conhecimentos não-índios
- auxiliar a comunidade na conquista de bens materiais
- prestar assistência à Associação
A ideia de criar uma escola que atendesse diretamente aos interesses dos índios veio dos adultos e mais velhos da aldeia. O currículo foi montado para apoiar as necessidades específicas dos moradores. Os alunos têm aulas de mitologia Kamayurá, luta Huka Huka, música tradicional (flautas 'kurutai' e 'awirare' e canto), pintura corporal, artesanato e língua Kamayurá (escrita e leitura). A escola cria condições para o resgate de algumas práticas ameaçadas de abandono, como cantos antigos, narração de mitos, desenhos e pinturas tradicionais, confecção de adornos, instrumentos de trabalho, entre outros. As disciplinas básicas do primeiro grau - português, matemática, geografia e história – são introduzidas de modo diferenciado, apoiadas no conhecimento dos mais antigos e nas atividades cotidianas.
A escola da aldeia Kamayurá está com as paredes inacabadas e pintadas pela metade. De certa forma, a casa que abriga a escola Mavutsinin é bem diferente da paisagem da aldeia. Buscando revitalizar este espaço e integrá-lo com a comunidade, o Terra Comum criou o Projeto Escola Mavutsinin.


A escola Mavutsinin fica fora do círculo principal da aldeia, mas numa região importante porque serve de passagem para muitos moradores. Também é um espaço onde as crianças correm livremente e brincam nas sombras dos pequizeiros.

O povo Kamayurá é conhecido por sua pintura tradicional, ainda hoje eles realizam esta arte com maestria. Os desenhos são tradicionalmente encontrados nas pinturas corporais, vasos, panelas de cerâmica, artesanatos, instrumentas e ferramentas. Hoje, outros suportes são explorados, como muros e paredes.
A escola Mavutsinin da aldeia Kamayurá tem parte do seu muro pintado com grafismos, mas o trabalho está inacabado. Buscando revitalizar o espaço, o Instituto optou por continuar o padrão. O painel será como um livro aberto, despertando a curiosidade para as histórias de cada traço, com identificação e aprendizado, principalmente para as crianças, mantendo viva a tradição.

Os voluntários, junto aos pintores Kamayurás, irão revitalizar a escola e ainda contribuirão para o desenvolvimento da pesquisa Kamayura Kwatsiat. Este registro foi idealizado e é coordenado pela designer Antonia Souza junto com as lideranças indígenas. O trabalho busca identificar e catalogar o Tapaká, a verdadeira pintura do povo Kamayurá. A identificação dos elementos, apresentação em diferentes suportes e as diferenças entre padrões de repetição são pontos de partida para esta pesquisa que servirá de base para a escolha das ilustrações que serão reproduzidas no muro.
Ao final da catalogação, o Terra Comum pretende buscar parcerias para editar um livro para a comunidade e alunos da escola Mavutsinin.

Investindo na Escola Mavutsinín afirmamos o quanto confiamos no potencial das crianças indígenas e acreditamos que a chave para um futuro mais sustentável e inteligente é possível. São eles que vão preservar nossas matas e florestas no futuro.
Consertando, pintando e cuidando da escola, iremos inspirar não apenas as crianças, alunos da escola, mas também a todos os professores, moradores e visitantes. O objetivo é que todos tenham orgulho de fazer parte dessa atividade e que a escola seja um espaço para interação e colaboração.


Para viabilizar tudo isso, precisaremos de duas viagens à aldeia. Na primeira viagem vamos terminar as obras no muro e levar todos os materiais necessários para a pintura. Depois dos 20 dias de finalização e tempo de secagem do muro, voltamos para a aldeia com os artistas e voluntários para pintura do muro e finalização dos tapakás.
Durante as obras na escola contrataremos a ajuda de agentes indígenas, índios que fazem esse tipo de trabalho de construção na aldeia.



O Projeto Escola Mavutsinin é a primeira realização em prol da revitalização da Escola. Depois de conquistarmos a atenção das crianças e dos índios mais velhos a respeito da importância de manter esse espaço vivo e com bastante com cor, queremos revitalizar o interior das salas de aulas e, em parceria com os alunos e professores da aldeia, traduzir o que eles querem pintar e aprender.
Vamos apoiar a compra dos materiais escolares, a ampliação da biblioteca, a revitalização das mesas, cadeiras e quadros negros, além de desenvolver novos materiais para o aprendizado, como pesquisas, livros e atividades. Sabemos que é um longo caminho e estamos dispostos a apoiá-los neste desafio!

Convidamos você a fazer parte desta expedição de solidariedade e respeito, buscando incentivar a conservação da natureza e a proteção de áreas naturais e conhecimentos tradicionais.
Conheça as escolhas que podemos fazer na construção de um futuro mais sustentável e respeitoso com a natureza e seus maiores guardiões, os povos indígenas.

O Terra Comum é uma organização que visa promover ações positivas em benefício das comunidades tradicionais indígenas de forma geral. Atualmente atua diretamente com aldeias no Alto do Parque Indígena do Xingu e visa expandir esse trabalho.
O Instituto reconhece os conhecimentos indígenas como patrimônio histórico e cultural da humanidade e apoia os povos indígenas na busca pelos seus direitos. Mas, principalmente, estimula a colaboração para que pessoas comuns possam fazer parte do trabalho social e contribuir para a realização de projetos.
O Terra Comum nasceu a partir da experiência de mais de cinco anos e dezenas de viagens ao Parque Indígena do Xingu realizadas pela historiadora Maria Eduarda Souza, ou Duda Kamayurá, como é chamada na aldeia.


