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O Livro
Poesia Não Serve Pra Nada revela a vontade de Tiago Reivax de passar alguns dias fechado em casa, ouvindo música no sofá com a TV ligada no mudo, apontando a desgraceira até a alma afoita sair pelo nariz e pela boca e passear pelos cômodos, assim, como quem não quer servir pra nada só por vingança a ter que ser sempre útil. Desamparada, atônita, regada a charros e cerveja ruim, Poesia Não Serve Pra Nada precede de uma inconveniência necessária a apontar o caos programado desse começo trágico de século e, seja no humor ou na raiva, não tem como dispor da indiferença de nenhum leitor.
Coloco aqui minha cara à tapa
num autorretrato em branco e preto
propositalmente tratado
iluminado meio de lado
pra avisar, apressado
com muito carinho e cuidado
que na sua estante
às muitas leituras concluídas
e a uma ou outra procrastinada
logo poderá incluir
a modesta obra intitulada
Poesia Não Serve Pra Nada.

O Autor
Tiago Reivax nasceu em São Paulo, em março de 1982, e viveu sua adolescência em Londrina, no Paraná. Atualmente, habita a Baixada do Glicério, no coração da capital paulista. Além de poeta, formou-se em História pela UEL, é doutor em Educação, Arte e História da Cultura e atua como professor em cursos de graduação em pedagogia e de pós-graduação em formação docente. Poesia Não Serve Pra Nada é seu primeiro livro.
Comentários
Este livro compila 60 poemas que são como uma conversa distraída com Reivax depois de uma festa, na fila do cinema ou na mesa do boteco, onde ele despeja com humor sua crítica política enquanto comenta sobre um gato cego chamado Zeus, uma mulher que chora atrás da janela, um andarilho que grita "acabou la plata", adultos dançando macarena no Tiktok e um clérigo que faz de sua batina um reduto de prazeres.
- Kellen Carvalho, quadrinista. Autora da revista Velha Cosmo (@velha.cosmo)
Alguns Poemas do Livro
Poesia Não Serve Pra Nada
Não exija que o poeta
cumpra função de bodoque -
não conclame, não evoque.
Não romantize o bulício.
Pra que a vitrine
da loja de grife
espatife
é preciso que se borrife
uma bátega acertada:
sob pilha de pedriscos
a montra logo estilhaça
em violento chuvisco.
Bote a própria mão na massa
pra organizar o motim.
No momento do levante,
esqueça que o poeta existe -
entenda, tintim por tintim.
Rima pode ser pedrada,
talhada na alegoria.
Mas, na hora da porfia,
ao revidar ameaças,
versos não quebram vidraças,
de nada serve a poesia.
*
Poema da Véspera
Cadáver exposto
no escaparate visceral.
Vianda pobre, à mostra,
na vitrine eleitoral.
Menor morto na Candelária sacia a orexia.
Marginal sem piedade
sangra em Vigário Geral.
No Rio de Janeiro -
seja em Jacarezinho
seja na Vila Cruzeiro,
fardado logo se assanha -
faz da morte uma campanha.
Se apresenta como herói,
orgulha-se da façanha.
Primeiro, a vida destrói.
Depois conta uma patranha.
Diz que eram todos bandidos,
usa sempre essa artimanha.
O sangue hoje derramado,
promessa de carnificina,
deixa de balas, crivados,
corpos pretos empilhados:
véspera da próxima chacina.
O Toma Aí Um Poema
O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:
900+ autores declamados. | 1k+ poetas publicados. | 90+ mil ouvintes
*
Orçamento - 36 exemplares (1440 Reais)
Impressão Gráfica | 300,00
Material de envio e frete | 250,00
Serviços Editoriais | 850,00
Margem de segurança | 40,00
[+7% Benfeitoria]
Superação da Meta: todo o valor líquido arrecadado que supere os gastos da publicação será repassado para o autor.
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