"UNIVITELINOS", DE SELENE BENTO
Cotia, SP

"UNIVITELINOS", DE SELENE BENTO

PRÉ-VENDA DE "UNIVITELINOS", DE SELENE BENTO.

Campanha Financiada com Sucesso!

Finalizada em 08/11/2024

R$ 280

arrecadados da meta de R$ 2.400

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Campanha Financiada com Sucesso!

Finalizada em 08/11/2024

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Essa pré-venda é de Selene Bento para a publicação do livro "Univitelinos".

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(...) Ovos também não faltavam. Carne era menos, mas havia os porcos e as galinhas que, quando não eram convertidos em dinheiro para pagar dívidas, iam parar nos estômagos da família. Comer uma galinha inteira, porém, só quando tinha visita importante. No dia a dia, uma galinha rendia a refeição de uma semana toda. A mãe a cortava em partes bem pequenas (menos as coxas, sobrecoxas e coxinhas da asa: essas eram do pai, afinal o homem da casa precisava ser bem alimentado) e as distribuía nos cozidos que ia fazendo. Para o nosso irmão — o epilético — sempre eram reservadas as peças que, segundo a mãe, tinham mais “sustância”, para que ele ficasse sadio, e, com a graça de Deus, conseguisse a cura: fígado, moela. Também filés de peito. E como o menino não podia ficar nervoso, seu prato sempre era o primeiro a ser servido. É claro que não concordávamos com isso, ainda mais quando, sem nem tentar disfarçar, nossa mãe colocava mais comida e até enfeitava o prato dele. Só que ninguém tinha coragem de verbalizar a indignação: fingíamos não ver e internalizamos, assim, nosso lugar naquele lar.

E no mais, não se podia gastar dinheiro com nada. Nem chuveiro quente no inverno era permitido, porque a conta de energia viria muito alta — exceto para o nosso irmão (claro), para que não adoecesse. Roupa diferente aparecia só quando algum familiar enviava as usadas que já não serviam nos seus filhos. Sorvete ou picolé nós viemos a conhecer só na adolescência. Passear era permitido nas tardes de domingo, depois que toda a rotina da casa estava concluída, e antes da ordenha das vacas, no final do dia.

Nossos pais, ambos, queriam muito enriquecer (só no sentido monetário mesmo). Concordavam sem titubear acerca desse propósito de vida. Tinham a força dos braços e as dívidas no banco (além de nós, seus filhos), que se somavam a uma imensa vontade de conseguir as coisas, possuir, mudar de casta, mostrar para a família e conhecidos de que eram capazes de progredir (só financeiramente falando, reitero). Eram descendentes de lendários prussianos e, em séculos mais recentes, de alemães: seus avós tinham vindo para o Brasil, fugidos das guerras napoleônicas que arrasaram a Europa na primeira metade do século XIX. Contava-se que, naquele tempo, quando o exército francês passava, com seus milhares de homens e cavalos que necessitavam de alimentação, tudo quanto existisse — que podia ser comida de gente ou bicho — era saqueado. À medida que as tropas avançavam, deixavam para trás mortes, miséria e fome. Na época, não havia como preservar grandes quantidades de víveres: o animal abatido no dia era consumido pela população quase imediatamente; as colheitas do ano eram guardadas em paióis e serviam para matar a fome por poucos meses. Dependendo do produto, durava só algumas semanas. Assim, meus ancestrais fugiram da dupla destruição: da guerra e da fome. As Américas, com suas imensas terras desabitadas, seu clima mais convidativo e suas políticas expansionistas, eram então o paraíso prometido.

(...)

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Ao alcançarmos a primeira meta, iniciaremos o processo de produção do livro (revisão, diagramação, produção da capa, pedido de ISBN, ficha catalográfica, impressão). Além disso. 10% de todos os livros impressos serão entregues como pagamento de direitos autorais. Assim que o livro estiver pronto, será promovido um lançamento.
As recompensas serão livros, autógrafos e pequenos mimos. 
Agradecemos muito pelo apoio de todas e todos e desejamos que sempre exista luz.
Voe! Evoé!

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