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O espetáculo é fruto da pesquisa continuada do Coletivo acerca do universo "T" no Brasil e retrata a exclusão, decadência e violência presentes no cotidiano dessa população. Ao subverter estas tristes histórias, a obra objetiva também ressaltar as narrativas de superação e transformação, bem como ampliar essa investigação promovendo um estudo acerca da artesania dessa travestilidade e a valoração do ator-transformista e da criação do conceito, em teatro, da criação/persona como alter-ego do artista

O Brasil é líder mundial no ranking de assassinatos a pessoas LGBTQ. Em 2018, de acordo com pesquisa divulgada pelo Grupo Gay da Bahia, foram registrados 347 casos no território brasileiro. Diante dessa estatística brutal, faz-se urgente e necessário buscar ferramentas que possibilitem, senão erradicar, minimamente alertar para a barbárie e o preconceito que versam sobre a diversidade sexual e as identidades de gênero.
O Coletivo As Travestidas atua há mais de 15 anos na cidade de Fortaleza. Seu idealizador é o ator e dramaturgo Silvero Pereira, que em 2002 estreou o espetáculo Uma Flor de Dama, inspirado no conto de Caio F. Abreu e, dali em diante, construiu com As Travestidas uma trajetória primorosa, que serve de referência para dezenas de grupos de todo o Brasil, se consagrando como um dos coletivos mais importantes no que se refere as discussões das temáticas de gênero, sendo o trabalho de maior sucesso o monólogo estrelado pelo seu fundador, intitulado BR-TRANS (indicado a vários prêmios no Brasil, com temporadas de sucesso no eixo Rio/SP), mas também em muitas capitais e países como Alemanha e EUA.

O trabalho do Coletivo As Travestidas, nos campos da travestilidade, transformismo e transexualidade, tem permitido dimensionar a urgência de visibilizar o universo trans, especialmente no teatro. A singularidade do repertório está toda estruturada em um acervo pessoal, documental e ficcional, feito pelo ator e pesquisador Silvero Pereira e demais integrantes do grupo, sejam atores, figurinistas e/ou maquiadores, que têm na pesquisa trans seu principal objeto de estudo e inspiração há muitos anos.
Parece-nos relevante e urgente que possamos criar espaços dialógicos e de trocas múltiplas sobre a questão das liberdades individuais, partindo do pressuposto que o teatro é a mais política das artes. Cientes dessa importância é que temos dado continuidade às pesquisas relacionadas às temáticas de gênero como um caminho para a reflexão acerca do sujeito na contemporaneidade e seus extremos enquanto tempo, liberdade e espaço.
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